Em menos de um mês, governo reduz previsão de crescimento da economia de 4,5% para 2%
BC dos EUA anuncia estímulo de US$ 40 bi por mês para a economia
Conta de luz será 16,2% a 28% menor, mas Dilma diz que pode cair mais em março
Governo aumenta imposto de importação de cem produtos, incluindo batata e pneu
Governo mantém IPI menor para carros, eletrodomésticos, material de construção e móveis
Outros
25 setores vão pagar menos impostos trabalhistas para reduzir os custos
de funcionários. Em abril, o governo já havia isentado 15 setores. As
empresas incluídas agora vão deixar de pagar os 20% de contribuição
patronal do INSS a partir de janeiro de 2013. No lugar dessa
contribuição, elas vão pagar de 1% a 2% sobre o faturamento (se ganharem
mais, pagam mais; se faturarem menos, o imposto é menor).
A
medida foi anunciada nesta quinta-feira (13) pelo ministro da Fazenda,
Guido Mantega. A intenção é evitar demissões ou incentivar contratações
de mais trabalhadores, e tentar combater os efeitos da crise econômica
global.
Ao
anunciar a nova medida, o ministro também reduziu a previsão de
crescimento da economia brasileira para 2% neste ano. A previsão, que já
foi de 4,5%, havia sido reduzida para 3% no final de agosto.
Mantega
falou que o corte do INSS para esses setores é permanente, continua nos
próximos anos, em 2014, 2015, 2016. Outros governos poderão mudar, mas
nós estamos fazendo isso de maneira definitiva.
O
governo vai deixar de arrecadar R$ 12,83 bilhões em 2013 e R$ 14,11
bilhões em 2014. Esse valor será descontado dos R$ 15,2 bilhões
previstos no Orçamento de 2013 para tal finalidade. Em quatro anos, o
governo deixará de arrecadar cerca de R$ 60 bilhões.
A
Previdência cuida da aposentadoria dos trabalhadores. É financiada com
contribuição dos trabalhadores e das empresas. A medida anunciada pelo
governo elimina a contribuição direta das empresas.
Setores beneficiados e aceleração da depreciação
Entre
os 25 novos setores, estão aves, suínos e derivados, transporte
rodoviário coletivo, papel e celulose, fármacos e medicamentos,
transporte aéreo, marítimo, fluvial, forjados de aço, ferramentas,
parafusos, cerâmica, pneus e câmaras de ar, manutenção e reparação de
aviões, e suporte técnico de informática.
Mantega
disse que esses setores forem escolhidos por empregarem muitos
funcionários. Esses setores pagariam R$ 21,57 bilhões de INSS [em 2013].
Deixarão de pagar esse valor. Pagarão R$ 8,74 bilhões de imposto sobre
faturamento. Isso reduz o custo da mão de obra para esse conjunto de
empresas e as torna mais competitivas, afirmou o ministro.
Outra
medida anunciada foi a aceleração da depreciação. Isso significa que as
máquinas compradas pelas indústrias poderão ser abatidas como despesas
mais rapidamente do que o normal.
Medidas têm sido anunciadas para tentar aquecer economia na crise
O governo tem adotado medidas para tentar combater os efeitos da crise econômica. Na terça-feira, dia 11, a
presidente Dilma Rousseff reafirmou a informação de que a conta de luz
vai cair de 16,2% (para consumidores residenciais) a até 28% (para
indústrias), em média, no início de 2013, e ainda disse que essa queda
pode ser maior.
Ao reduzir o custo da luz para indústrias, também alivia sua capacidade de investimento e gerar empregos.
No
fim de agosto, o governo decidiu prorrogar o desconto de IPI (Imposto
sobre Produtos Industrializados) na compra de carros, geladeiras,
fogões, lavadoras, móveis e material de construção. A previsão era que a
redução do IPI de carros e eletrodomésticos terminasse no dia 31 de
agosto. O desconto para carros foi prorrogado por mais dois meses e vai
até 31 de outubro deste ano.
Outros
setores também tiveram o IPI reduzido por mais tempo. A alíquota sobre
os fogões, que pagavam 4% de IPI, continua zerada. O imposto foi
reduzido de 15% para 5% para as geladeiras e de 20% para 10% para as
máquinas de lavar. A alíquota sobre tanquinhos, que era 10%, também caiu
para zero. O desconto para eletrodomésticos da linha branca foi
prorrogado até 31 de dezembro deste ano. A
medida já foi prorrogada para o setor duas vezes, a última delas em
junho, e resultou em aumento de vendas. Essa foi é a terceira
prorrogação.
A isenção para móveis, painéis e laminados, que iria até setembro, também foi prolongada até 31 de dezembro.
Governo havia beneficiado outros setores em abril
Em
abril, o governo havia anunciado essa redução de impostos para 15
setores. Eram eles: setor têxtil, confecções, couro e calçados, móveis,
plásticos, material elétrico, autopeças, ônibus, naval, aéreo, mecânico,
hotéis, tecnologia de informação, call center e chips.
Esses
15 setores iniciais tinham sido considerados pelo governo os mais
afetados pela crise econômica. Agora esses outros 25 também foram
considerados com necessidade de proteção.
O
ministro Guido Mantega disse, em abril, que o governo iria bancar esse
rombo, não estimado por ele na ocasião. O Tesouro Nacional vai cobrir
eventual deficit da Previdência. Não haverá aumento do deficit da
Previdência, afirmou.
A
alíquota que as empresas beneficiadas passarão a pagar será de 1% a
2,5% sobre o faturamento, conforme a área. As áreas têxtil e autopeças,
por exemplo, pagarão 1%. Tecnologia da informação e call center pagarão
2%.
Em
abril, o ministro havia anunciado que essa alíquota não vai incidir
sobre exportações. A preocupação do governo é reduzir os custos dos
produtos brasileiros no exterior, para que as companhias brasileiras
sejam competitivas e possam vender seus produtos com preços menores que
os de outros países.
Os
produtos importados, no entanto, pagarão essa taxa. A intenção é deixar
os importados mais caros, para beneficiar os produtos nacionais.
Fonte: Site UOL
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